30 novembro 2010

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS





 
       Todas as cartas de amor são
       Ridículas.
       Não seriam cartas de amor se não fossem
       Ridículas.
 
       Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
       Como as outras,
       Ridículas.
 
       As cartas de amor, se há amor, 
       Têm de ser
       Ridículas.
 
       Mas, afinal,
       Só as criaturas que nunca escreveram 
       Cartas de amor 
       É que são
       Ridículas.
 
       Quem me dera no tempo em que escrevia 
       Sem dar por isso
       Cartas de amor
       Ridículas.
 
       A verdade é que hoje 
       As minhas memórias 
       Dessas cartas de amor 
       É que são
       Ridículas.
 
       (Todas as palavras esdrúxulas,
       Como os sentimentos esdrúxulos,
       São naturalmente
       Ridículas.)

14 novembro 2010

BREVE HISTÓRIA DA LÍNGUA PORTUGUESA




    Nosso idioma está repleto de palavras que evocam mitos e
lendas que formavam a religião dos gregos e dos romanos. Sem
dúvida, nossos vocábulos ficam mais interessantes quando
descobrimos histórias que estão por trás de palavras
aparentemente comuns.
   Você sabe por que o mês janeiro tem esse nome? Foi em
homenagem ao Deus Janus, dono de duas faces, que o primeiro
mês do ano recebeu esse nome. Diz a mitologia que Janus tinha
duas faces e, portanto, podia, ao mesmo tempo, olhar o término
de um ano e o início do outro.
   O vocábulo cereal foi em homenagem à deusa Ceres, deusa
da plantação e da colheita.
   Já o Pluto, cachorro do Mickey, é o nome de um Deus romano.
Interessante é o significado do nome pânico. Pânico vem de
Pan, um deus com pequenos chifres e corpo de bode da cintura
para baixo. Conta a mitologia que esse deus vivia nos bosques
correndo atrás das ninfas, causando-lhes um enorme medo,
pânico. Qualquer ruído era sinal da presença do deus. Daí, hoje,
o termo indicar um medo incontrolável e, por vezes, irracional.
Estes são alguns nomes que exemplificam essa grande
herança mitológica do nosso vocabulário.

A LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL



   Quando os portugueses descobriram o Brasil em 1500,
já encontraram aqui uma língua: o tupi , que eles logo batizaram
de língua geral . Era aquela falada pelos índios e também
pelos jesuítas, que a utilizavam para catequizá-los, além
dos comerciantes e outros moradores das terras brasileiras.
Os jesuítas acabaram sendo expulsos do Brasil em 1759, e,
desde então, o tupi foi proibido como língua geral, mas continuou
sendo falado pela população local e contribuiu muito
para o enriquecimento do vocabulário português. São inúmeras
as palavras que vieram do tupi. Exemplos: carijó, guri,
mingau, capim, araponga, arapuca, e outras; entre os nomes
de pessoas, podemos citar Jurema, Iara, Araci, Moacir, Ubirajara,
Iracema, e entre os topônimos (nomes de localidades)
temos Niterói, Ceará, Catumbi e outros.
Além do tupi, o português sofreu influência da língua
africana, que chegou ao Brasil com os escravos trazidos da África.
Sobretudo os dialetos nagô, ioruba e quimbundo, praticados
pelos negros que aqui chegaram, enriqueceram a língua
portuguesa com diversos termos. Exemplos: quilombo,
banzo, samba, quitanda, acarajé, vatapá, dendê, além dos
nomes de entidades da umbanda, como Exu, Orixá, Ogum,
Iansã e muitas outras palavras.
   Desde a colonização até meados de 1600, a língua portuguesa 
no Brasil convivia com essas outras línguas – o tupi e os
dialetos africanos. Daí em diante, ela começa a se impor como
língua dominante, o que acontece definitivamente com a vinda
da família real portuguesa para o Brasil, em 1808. Colaboram
para isso a crescente urbanização que, dando origem às
cidades, aprofunda a separação com o mundo rural, e o trabalho 
de importantes escritores, entre eles José de Alencar (1829-1870),
que passam a retratar em suas obras a terra e o povo brasileiro,
colaborando para uma identificação maior entre ambos. Mas,
fundamentalmente, o que fez com que a língua portuguesa se
impusesse como idioma foi o fato de o índio e o negro terem
perdido, progressivamente, sua importância como mão de obra
na economia colonial tendo, assim, sua língua e seus costumes
marginalizados da cultura dominante, e, em contrapartida,
o domínio que os portugueses exerceram sobre as terras e
riquezas do Brasil, o comércio, a educação, a cultura e demais
aspectos da sociedade brasileira.

DOMÍNIO ATUAL



   Com as navegações durante os séculos XV e XVI, os portugueses
levaram a sua língua para os vastos territórios que
conquistaram na África, na América e na Oceania, ampliando
muito seu domínio.
   Hoje, o português é a língua oficial de Portugal, do Brasil e
dos países que foram colônias portuguesas: Guiné-Bissau, Cabo
Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor. É,
portanto, falado em áreas de todos os continentes: Europa
(Portugal continental, arquipélago dos Açores e ilha da Madeira),
África (arquipélago de Cabo Verde, ilhas de São Tomé e
Príncipe e, no continente, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique),
Ásia (Macau), Oceania (parte ocidental da ilha de Timor) e
América (Brasil). Isso sem contar os inúmeros dialetos, que
misturam o português com o espanhol, praticados em povoações
da Espanha e nas zonas fronteiriças do Brasil.
Esse amplo domínio faz da língua portuguesa a quinta
entre as mais faladas do mundo, superada apenas pelas
línguas chinesa, inglesa, russa e espanhola.

A EXPANSÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA




AS FASES DA LÍNGUA

          O linguista José Leite de Vasconcelos, em sua obra Lições de Filologia Portuguesa (Lisboa, 1926), propõe as seguintes etapas na evolução do latim ao português: a) latim lusitânico – língua falada na Lusitânia, desde a implantação do latim até o século V; b) romance lusitânico – língua falada na Lusitânia, do século VI ao IX; c) português proto-histórico – língua falada na Lusitânia, do século IX ao XII; d) português arcaico – do século XIII à primeira metade do século XVI, quando a língua começa a ser  codificada gramaticalmente. Em 1536 é publicada a primeira gramática da língua portuguesa, a Grammatica da Lingoagem Portuguesa, de Fernão de Oliveira; e) português moderno – da segunda metade do século XVI aos dias de hoje.

          Outros autores costumam unir as fases do latim lusitânico e do romance lusitânico naquela que seria a fase pré-histórica da língua, a respeito da qual não existem documentos; outros, como o próprio Leite de Vasconcelos, subdividem as fases arcaica e moderna em outras fases. No entanto, parece-nos suficiente essa divisão para a apreensão do processo por que passou a língua portuguesa, tendo-se sempre presente que a língua é um sistema em permanente transformação, não cabendo, portanto, qualquer divisão estanque.




DOMÍNIO ATUAL

          Com as navegações durante os séculos XV e XVI, os portugueses levaram a sua língua para os vastos territórios que conquistaram na África, na América e na Oceania, ampliando muito seu domínio.
         Hoje, o português é a língua oficial de Portugal, do Brasil e dos países que foram colônias portuguesas: Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor. É, portanto, falado em áreas de todos os continentes: Europa (Portugal continental, arquipélago dos Açores e ilha da Madeira), África (arquipélago de Cabo Verde, ilhas de São Tomé e Príncipe e, no continente, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique), Ásia (Macau), Oceania (parte ocidental da ilha de Timor) e América (Brasil). Isso sem contar os inúmeros dialetos, que misturam o português com o espanhol, praticados em povoações da Espanha e nas zonas fronteiriças do Brasil.
          Esse amplo domínio faz da língua portuguesa a quinta entre as mais faladas do mundo, superada apenas pelas línguas chinesa, inglesa, russa e espanhola.

O GALEGO-PORTUGUÊS





Com a acentuação das diferenças entre
os romances peninsulares ocorrida sobretudo
durante o domínio árabe constitui-se, na
região ocidental da Península Ibérica, uma unidade
lingüística que se conservou até meados
do século XIV: o galego-português . Não
é rigoroso o registro de seu nascimento. Provavelmente
existiu desde o século VI, mas os primeiros documentos
conhecidos redigidos integralmente
em galego-português datam do século XIII.
Dessa unidade lingüística surgiria o novo idioma, fruto
de uma diferenciação progressiva entre o galego e o português,
que, acredita-se, culminou no século XIV, quando os
dois se separam definitivamente, passando, assim, a constituir
idiomas independentes.
O português é então adotado oficialmente como o idioma
de Portugal no reinado de D. Afonso Henriques, o primeiro
rei de Portugal, que ocupou o trono de 1143 a 1185.

AS LÍNGUAS ROMÂNICAS




 Com a invasão da Península Ibérica por povos bárbaros
de origem germânica, como os suevos, vândalos e visigodos,
no século V d.C., a língua latina, dominante desde o século
III a.C, sofreu grandes influências, mas sua base românica,
consolidada durante tantos séculos, não foi alterada.
No entanto, esse processo, aliado ao esfacelamento
do Império Romano, libera as forças linguísticas 
desagregadoras, de tal forma que em fins do século V 
os dialetos regionais já estariam mais próximos dos
idiomas românicos do que do próprio latim.
  Começa então o período do romance ou
romanço , denominação que se dá à língua
nessa fase de transição, que mistura o latim
vulgar e os dialetos ibéricos, dando origem
às diversas línguas românicas , ou neolatinas.
   Entre elas, as mais importantes são:
francês, espanhol, italiano, sardo, provençal,
rético, catalão, português, franco-provençal,
dálmata e romeno.
    Mas as invasões à Península Ibérica prosseguiram. No
século VIII é a vez dos árabes: vindos do norte da África,
eles conquistam a região. Sua influência foi tão forte na
língua que se acentuaram ainda mais as diferenças entre os
vários romances existentes. Com a chegada dos povos árabes,
floresceram na Península as ciências e as artes, bem
como a agricultura, a indústria e o comércio, com conseqüente
introdução de inúmeras palavras para designar novos
e variados conhecimentos.

LATIM VULGAR E LATIM LITERÁRIO



             

       O idioma levado pelos romanos para as mais diferentes regiões foi o latim falado, aquele praticado no dia a dia por todas as camadas sociais, e também conhecido como latim
vulgar . Desde o século III a.C., sob a influência grega, o latim escrito com intenções artísticas foi sendo progressivamente apurado, o que acabou por acentuar a separação entre o latim vulgar e o latim literário. Também chamado latim clássico, era o idioma ensinado nas escolas e cultivado por uma pequena elite, entre ela os grandes escritores de Roma, como Horácio e Virgílio.
     Assim, o latim mais inovador, aquele que deu origem a novas línguas, foi o latim vulgar. O termo vulgar deve ser entendido aqui como a língua falada por todas as camadas da população. Ele inclui as diversas variedades da língua falada, desde a linguagem corrente, das ruas, até as linguagens profissionais, os termos usados nas guerras e nas transações comerciais e as gírias. Foi esse latim que os soldados, lavradores, viajantes e funcionários romanos levaram para as regiões conquistadas e que, por diversos fatores, deu origem às chamadas línguas românicas .


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AS ORIGENS DA LÍNGUA PORTUGUESA




   A língua portuguesa provém do latim, o
idioma falado por um povo rústico que vivia
no Lácio, região central da Península
Itálica. O tempo e a expansão do Império
Romano fizeram com que a língua latina
passasse por inúmeras transformações e
conquistasse um papel fundamental na história
da civilização ocidental. Foi justamente
uma dessas transformações que deu origem
à língua portuguesa, num processo
rico e dinâmico, que deve ser entendido
em seu permanente movimento, porque
toda língua é um organismo vivo, que serve
para os homens estabelecerem relações
entre si, conhecerem outros povos e outras 
culturas,realizarem transações comerciais, 
enfim, exercitarem sua comunicação diária. 
   Nesse contato permanente, a língua se
constrói, incorpora novos termos, transforma 
outros já existentes, influencia outros idiomas 
e recebe influências.
    O que fez a língua latina se desenvolver foi a 
necessidade dos romanos – que habitavam 
 a Península Itálica – de expandir seu domínio. 
    Até meados do século IV a.C., os romanos
não haviam ampliado muito as fronteiras do 
antigo Lácio, permanecendo o latim quase 
que restrito a essa região. Com a guerra contra 
os samnitas, em 326 a.C., iniciou-se um longo
período de conquistas com o qual o Império
Romano veio a atingir o máximo de sua expansão 
geográfica, levando também sua língua, seus 
hábitos de vida e instituições às mais
diversas regiões da Europa, África e Ásia.
   Desse longo período expansionista, o fato 
decisivo para o surgimento da língua 
portuguesa foi a conquista pelos romanos,
no século III a.C., da Península Ibérica. Essa 
parte da Europa, que hoje compreende Portugal 
e Espanha, era habitada por povos diversos, 
entre eles os celtas, iberos, púnico-fenícios,
lígures e gregos, que, na convivência com os
invasores romanos, incorporaram a língua latina, 
que passou a ser sua língua predominante até 
por volta do século V d.C.

PROPOSTA DE REDAÇÃO



  Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema: " Valorização do Idoso", apresentando experiência ou proposta de ação social, que respeite os direitos humanos. Selecione, Organize e Relacione, de forma coerente e coesa, Argumentos e Fatos para defesa de seu ponto de vista.



 ESTATUTO DO IDOSO       

Art.3° É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à cultura, à educação, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade,ao respeito e à convivência familiar e comunitária ...
Art.4° Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão,e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei.


  O aumento da proporção de idosos na população é um fenômeno mundial tão profundo que muitos chamam de "revolução demográfica" . No último meio século, a expectativa de vida aumentou em cerca de 20 anos. se considerarmos os últimos dois séculos, ela quase dobrou. E de acordo com as pesquisas, esse processo parece estar longe do fim.


Idoso é quem tem o privilégio de viver longa a vida...
... velho é quem perdeu a jovialidade.
[...]
A idade causa a degenerescência das células...
...a velhice causa a degenerescência do espírito.
Você é idoso quando sonha...
... você é velho apenas quando dorme...
[...]


INSTRUÇÕES


·         Seu texto tem de ser escrito à tinta, na folha própria.
·         Desenvolva seu texto em prosa: não redija narração, nem poema.
·         O texto com até 7 linhas escritas será considerado texto em branco.
·         O texto deve ter no máximo, 30 linhas.
·         O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.

PROPOSTA DE REDAÇÃO



  Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema: "O indivíduo frente à ética nacional", apresentando proposta de ação social, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione coerentemente argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.


  Andamos demais acomodados, todo mundo reclamando em voz baixa como se fosse errado indignar-se.
  Sem ufanismo, porque dele estou cansada, sem dizer que este é um país rico, de gente boa e cordata, com natureza ( o que sobrou) belíssima e generosa, sem fantasiar nem botar óculos cor-de-rosa, que o momento não permite, eu me pergunto o que anda acontecendo com a gente.
 Tenho medo disso que nos tornamos ou em que estamos nos transformando, achando bonita a ignorância eloqüente, engraçado o cinismo bem-vestido, interessante o banditismo arrojado, normal o abismo em cuja beira nos equilibramos - não malabaristas, mas palhaços.
                                                                                     ( LUFT.L Veja Ed. 1988, 27 dez.2006 )

Qual é o efeito em nós do "eles são todos corruptos" ?
  As denúncias que assolam nosso cotidiano podem dar lugar a uma vontade de transformar o mundo só se nossa indignação não afetar  o mundo inteiro. "Eles são TODOS corruptos" é um pensamento que serve apenas para "confirmar" a " integridade" de quem se indigna.
  O lugar-comum sobre a corrupção generalizada não é uma armadilha para os corruptos: eles continuam iguais e livres, enquanto, fechados em casa, festejamos nossa esplendorosa retidão.
  O dito lugar-comum é uma armadilha que amarra e imobiliza os mesmos que denunciam a imperfeição do mundo inteiro.

(CALLIGARIS,C. A armadilha da corrupção.)



INSTRUÇÕES


·         Seu texto tem de ser escrito à tinta, na folha própria.
·         Desenvolva seu texto em prosa: não redija narração, nem poema.
·         O texto com até 7 linhas escritas será considerado texto em branco.
·         O texto deve ter no máximo, 30 linhas.
·         O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.


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EXEMPLO DE DISSERTAÇÃO




Liberdade Carcerária

        O homem contemporâneo não vive mais à mercê da escravidão, nem a ele são negados  os direitos que fundamentam sua liberdade. Ainda assim, a sociedade moderna é incapaz de  tornar tangível a tão sonhada felicidade. Esse emblemático contrassenso  tem duas colunas de sustentação: a passividade coletiva e a evolução estratégica de alienação das massas.
      Sabe-se que, em tempos virtuais, não sobra ao indivíduo tempo real para a realização de todas as suas tarefas ou faltam--lhe critérios para a gestão das mesmas. Tanto é verdadeira a afirmação quanto é comum ouvir, entre lamentos e resmungos, os mesmos jargões de sempre: " Não tive tempo", " Não consegui terminar", "Não vou poder fazer isso", Não vai ser possível de novo". O pior de tudo isso é a sensação de "mea culpa" que se absorve inconscientemente, tornando possível e permissível toda e qualquer situação considerada, socialmente, inconveniente.
     Além  do comodismo, outro empecilho característico da atual estrutura global que impossibilita ao homem uma vida plena e equilibrada, diz respeito à nova forma de alienação social. É certo que no passado havia os grilhões que cingiam os punhos dos escravos. Havia, também, O Muro de Berlim. Hoje, já não se podem divisar as fronteiras da opressão das massas. Fala-se em liberdade de escolha, mas esquece-se que só se pode escolher entre aquilo que se encontra à disposição. Exemplificando, que liberdade tem alguém ao optar por um programa de televisão ou ao fazer valer seu direito ao voto eleitoral? Tudo que se Pode  fazer é escolher entre o ruim , o mau e o pior!
     A verdade é que o homem precisa, urgentemente, fazer a distinção entre prazer e felicidade, haja vista que é próprio desta geração a busca pelo prazer com a mesma intensidade com que desconhecem a felicidade, a qual tem sua medida no direito e acesso à liberdade, e, convém frisar, liberdade só tem valor quando vem acompanhada da capacidade de transcendência.

PROPOSTA DE REDAÇÃO


                                                                                        
   Com base no artigo apresentado, desenvolva um texto dissertativo, expondo suas ideias, argumentos e opiniões sobre o tema por ele abordado.

O BULLYING E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS

    Na atualidade, um dos temas que vêm despertando cada vez mais, o interesse de profissionais das áreas de educação e saúde, em todo o mundo, é sem dúvida, o do bullying escolar. Termo encontrado na literatura psicológica  que conceitua os comportamentos agressivos e antissociais, em estudos sobre o problema da violência escolar.                                                                                                                                                          
       Sem termo equivalente na língua portuguesa, define-se universalmente como “um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento”. Insultos, intimidações, apelidos crueis e constrangedores, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos, levando-os à exclusão, além de danos físicos, psíquicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do comportamento bullying..                                                                                                                                                   
     Segundo especialistas, as causas desse tipo de comportamento abusivo são inúmeras e variadas. Deve-se à carência afetiva, à ausência de limites e ao modo de afirmação de poder e de autoridade dos pais sobre os filhos, por meio de “práticas educativas” que incluem maus-tratos físicos e explosões emocionais violentas. Em nossos estudos constatamos que 80% daqueles classificados como “agressores”, atribuíram como causa principal do seu comportamento, a necessidade de reproduzir contra outros os maus-tratos sofridos em casa ou na escola. 
    As conseqüências para as “vítimas” desse fenômeno são graves e abrangentes, promovendo no âmbito escolar o desinteresse pela escola, o déficit de concentração e aprendizagem, a queda do rendimento, o absentismo e a evasão escolar. No âmbito da saúde física e emocional, a baixa na resistência imunológica e na autoestima, o estresse os sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, a depressão e o suicídio.
   Para os “agressores”, ocorre o distanciamento e a falta de adaptação aos objetivos escolares, a supervalorização da violência como forma de obtenção de poder, o desenvolvimento de habilidades para futuras condutas delituosas, além da projeção de condutas violentas na vida adulta. Para os “espectadores”, que é a maioria dos alunos, estes podem sentir insegurança, ansiedade, medo e estresse, comprometendo o seu processo socioeducacional.
     Esta forma de violência é de difícil identificação por parte dos familiares e da escola, uma vez que a “vítima” teme denunciar os seus agressores, por medo de sofrer represálias e por vergonha de admitir que está apanhando ou passando por situações humilhantes na escola ou, ainda, por acreditar que não lhe darão o devido crédito. Sua denúncia ecoaria como uma confissão de fraqueza ou impotência de defesa.
    Os “agressores” se valem da “lei do silêncio” e do terror que impõem às suas “vítimas”, bem como do receio dos “espectadores”, que temem se transformarem na “próxima vítima”.

                                                                  (Sandra Regina da Luz Inácio  -  Adaptado )