26 setembro 2012

PECADOS DA LÍNGUA




































FONTE : Veja20/05/2009

OS DEZ MANDAMENTOS DO ALUNO PREGUIÇOSO




01- Viva para descansar.
02- Ame sua cama, ela é o seu templo.
03- Se vir alguém descansando, ajude-o.
04- Descanse de dia para poder dormir à noite.
05- O trabalho é sagrado, não toque nele.
06- Nunca faça amanhã o que você pode fazer depois de   

      amanhã.
07-Trabalhe o menos possível, o que tiver que ser feito   

     deixe que outra pessoa faça.
08- Calma, ninguém morreu por descansar.
09- Quando sentir desejo de trabalhar, sente e espere que  

     ele passe.
10- Não se esqueça, trabalho é saúde. Deixe o seu para os  

      doentes.    


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COMO FALAR MUITO SEM DIZER NADA



A tabela abaixo permite a composição de dez mil sentenças: basta combinar, em sequência, uma frase da primeira coluna, com uma da segunda, da terceira e da quarta (seguindo a mesma linha, ou "pulando"de uma para outra).
O resultado sempre será uma sentença correta, mas sem nenhum conteúdo.


Experimente na próxima reunião ou redação!

 
Coluna 1
Coluna 2
Coluna 3
Coluna 4
Caros colegas,
a execução deste projeto
nos obriga à análise
das nossas opções de desenvolvimento futuro.
Por outro lado,
a complexidade dos estudos efetuados
cumpre um papel essencial na formulação
das nossas metas financeiras e administrativas.
Não podemos esquecer que
a atual estrutura de organização
auxilia a preparação e a estruturação
das atitudes e das atribuições da diretoria.
Do mesmo modo,
o novo modelo estrutural aqui preconizado
contribui para a correta determinação
das novas proposições.
A prática mostra que
o desenvolvimento de formas distintas de atuação
assume importantes posições na definição
das opções básicas para o sucesso do programa.
Nunca é demais insistir que
a constante divulgação das informações
facilita a definição
do nosso sistema de formação de quadros.
A experiência mostra que
a consolidação das estruturas
prejudica a percepção da importância
das condições apropriadas para os negócios.
É fundamental ressaltar que
a análise dos diversos resultados
oferece uma boa oportunidade de verificação
dos índices pretendidos.
O incentivo ao avanço tecnológico, assim como
o início do programa de formação de atitudes
acarreta um processo de reformulação
das formas de ação.
Assim mesmo,
a expansão de nossa atividade
exige precisão e definição
dos conceitos de participação geral

 

COISAS QUE VOCÊ VAI APRENDER AO ENTRAR NA FACULDADE



1. Não importa o quão tarde é a sua primeira aula, você vai dormir durante ela;
2. Você vai mudar completamente e nem vai notar;
3. Você pode amar várias pessoas de maneiras diferentes;
4. Alunos de faculdade também jogam aviões de papel durante as aulas;
5. Se você assistir às aulas calçado, todo mundo vai perguntar por que você foi tão chique para a faculdade;
6. Cada relógio no prédio mostra um horário diferente;
7. Se você era inteligente no colegial... azar o seu!
8. Não importa tudo o que você prometeu quando passou o vestibular, você vai às festas da faculdade, mesmo que sejam na noite anterior à prova final;
9. Você pode saber toda a matéria e ir mal na prova;
10. Você pode não saber nada da matéria e tirar dez na prova;
11. A sua casa é um ótimo lugar para se visitar;
12. A maior parte da educação é adquirida fora das aulas;
13. Se você nunca bebeu, vai beber;
14. Se você nunca fumou, vai fumar;
15. Se você nunca transou, vai transar;
16. Se você não fizer nada disto durante a faculdade, não fará nunca mais na vida, a não ser que você faça uma nova faculdade;
17. Você vai se tornar uma daquelas pessoas que seus pais falaram para você não se meter com elas;
18. Psicologia é, na verdade, biologia;
19. Biologia é, na verdade química;
20. Química é, na verdade física;
21. Física é na verdade matemática;
22. Ou seja, mesmo depois de estudar anos, você não vai saber nada;
23. Que sentir depressão, solidão e tristeza, não são frescuras de quem não tem o que fazer;
24. Que você sempre vai prometer que no próximo semestre você vai estudar mais, festejar menos, mas que na certa acontecerá o contrário;
25. As únicas coisas que compensam na faculdade são os amigos que você fará lá;
26. Não verá a hora de terminar a faculdade;
27. E quando terminar, perceberá que foi a melhor época de toda a sua vida.

20 setembro 2012

EU NÃO O CONHECI


    

 Meu filho foi embora e eu não o conheci. Acostumei-me com ele em casa e me esqueci de conhecê-lo. Agora que sua ausência me pesa, é que vejo como era necessário tê-lo conhecido.
     Lembro-me dele. Lembro-me bem em poucas ocasiões.
Um dia, na sala, ele me puxou a barra do paletó e me fez examinar seu pequeno dedo machucado. Foi um exame rápido.
     Uma outra vez me pediu que lhe consertasse um brinquedo velho. Eu estava com pressa e não consertei. Mas lhe comprei um brinquedo novo. Na noite seguinte, quando entrei em casa, ele estava deitado no tapete, dormindo e abraçado ao brinquedo velho. O novo estava a um canto.
     Eu tinha um filho e agora não tenho mais porque ele foi embora. E este meu filho, uma noite, me chamou e disse:
     Fica comigo. Só um pouquinho, pai.
     Eu não podia; mas a babá ficou com ele.
     Sou um homem muito ocupado. Mas meu filho foi embora. Foi embora e eu não o conheci.
    
                                                                           (Oswaldo França Júnior)


GERAÇÕES: BABY BOOMER, X, Y, Z.





Os Baby Boomers: A geração da TV (1946/1964)


Os Baby Boomers compreendem os nascidos entre os anos de 1946 e 1964. O termo "Baby Boomer" é usado como referência aos “filhos” do baby boom, explosão demográfica pós-Segunda Guerra Mundial, que ocorreu em maior escala nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. 

Mais do que uma explosão demográfica, essa foi uma transformação cultural. A ascensão da televisão moldou o comportamento desses jovens, visto que ela servia como mensageira e mobilizadora, e ainda retratava a juventude como um grande acontecimento. Essa geração participou da revolução dos anos 1960,  o que mudou não só o papel das mulheres na sociedade, mas também o papel dos jovens. Eles desenvolveram sua própria cultura, pelo fato de existir um grande abismo entre eles e seus pais. Devido a isso, criaram seu estilo de vida próprio e tinham a televisão como principal ferramenta de comunicação. 

Dessa geração surgiram os ideais de liberdade, o feminismo e os movimentos civis a favor dos negros e homossexuais. O comportamento hippie também surgiu nessa época e junto a ele, protestos contra a Guerra Fria e a Guerra do Vietnã. No Brasil, a geração foi marcada pelos festivais de música, que eram uma forma de expressão político-ideológica dos jovens diante da repressão e censura da ditadura militar. 





Geração X: O início da internet. Os bebês dos anos 1965/1979


Nos Estados Unidos, o termo Geração X foi, inicialmente, referido ao período do "baby bust", ou seja, a geração pós-baby boom, quando as famílias começaram a ter menos filhos por casal. No Reino Unido, o termo foi utilizado primeiramente em 1964, em um estudo sobre a juventude britânica, que revelou uma geração de adolescentes com hábitos e preocupações diferentes das gerações anteriores. Eram jovens que dormiam juntos antes que estivessem casados, não acreditavam em Deus, não gostavam da Rainha e não respeitavam os pais. 

Essa geração viveu em uma sociedade onde havia descrença no governo, falta de confiança na liderança, apatia política, aumento do divórcio e do número de mães que transformaram a maneira de se relacionar com a sociedade. Foi a partir dessa geração que surgiram as preocupações com a destruição ambiental e as questões ecológicas. Este foi o início da internet e o fim da Guerra Fria, outra característica cultural marcante da Geração X. 






Geração Y: Os nascidos entre os anos 1980 e 1995


Chamados de Geração Y, estes jovens nascidos entre as décadas de 80 e 90 têm características muito especiais, pois foram os únicos que acompanharam a revolução tecnológica desde pequenos. Eles se conectaram desde cedo com o mundo digital e aprenderam na raça como incorporar em seu cotidiano as novas tecnologias, conseguindo, assim, desenvolver competências diferentes das gerações anteriores: a Baby Boomers e Geração X.  

Durante os anos 90, as tecnologias criadas na década de 80 foram aperfeiçoadas e popularizadas, entre elas, o computador, a internet e o telefone celular. A internet passou a ser uma nova mídia e conceito que mudou todo o comportamento das pessoas, em especial destes jovens. A internet trouxe um mundo de infinitas possibilidades, sendo uma ferramenta muito útil para explorar diversos assuntos e, consequentemente, permitindo que eles desenvolvessem ainda mais a curiosidade e capacidade para mexer com estas tecnologias.

Aliás, isso também possibilitou o desenvolvimento da independência, já que eles podiam achar as respostas para suas dúvidas facilmente, rapidamente e, principalmente, sozinhos. Portanto, eles estão se tornando uma geração mais crítica, pois possuem ferramentas para questionar, desafiar e discordar. Não aceitam explicações simples e óbvias. A internet permite debates em tempo real com pessoas de diferentes lugares e idades por meio de bate-papos e fóruns, o que os torna jovens mais questionadores e prontos para mudar o que julgam não estar certo. O lado negativo desse ambiente online é que os jovens podem perder suas habilidades sociais.  

Com o ritmo acelerado da tecnologia, eles se tornaram especialistas na realização de multitarefas, além de serem efêmeros, imediatistas e bem informados, mesmo que com certa superficialidade e um comportamento alienado ou mesmo despreocupado em relação aos problemas sociais e ideológicos. Apesar disso, essa ainda é uma geração curiosa, empreendedora, flexível, colaboradora, que concebe bem a necessidade e o momento em que vivemos de troca de informações e partilhas de vivências e conhecimentos. 

Para cada grupo particular, esses jovens receberam um nome. Dessa forma, não existe ainda um termo generalizado. O nome Geração Y, por exemplo, originou-se como sucessor da Geração X, termo criado para designar os nascidos entre a década de 60 e 70. 




Geração Z: Os Nascidos a partir de 2000

A Geração daqueles que nasceram sob o advento da internet e do boom tecnológico.  São jovens críticos, impacientes, dinâmicos e lidam com a constante mudança de opinião diante de fatos e acontecimentos. Esses jovens também funcionam a curto prazo e buscam experimentação precoce das coisas.
Alguns fatores diferenciam claramente os “Zs” das outras gerações. Em primeiro lugar, eles não vislumbram uma carreira profissional, nem gastam muito de seu tempo com estudos. Há teóricos mais radicais que chegam a afirmar que, em 2020, haverá escassez de médicos e cientistas (será?). Outra característica é a facilidade que têm de operar qualquer instrumento tecnológico. Isso porque eles nunca conceberam o mundo sem computador, chats e telefones celulares. E assim, diferentemente de seus pais, eles não se incomodam em navegar na internet, falar ao telefone e ouvir música, tudo ao mesmo tempo.
Essas diferenças os tornam mais avançados em relação à tecnologia e a novos conceitos, mas também os transformam em egocêntricos, que se preocupam só consigo mesmo na maioria das vezes. E, por isso mesmo, eles estão preocupados com uma questão específica: a da sustentabilidade. Mas não por se preocuparem com o futuro do planeta, mas porque avaliam as condições dos próximos anos para si mesmos. Ao receberem um benefício, os “Zs” o analisam de maneira diferente, colocando no topo de prioridades seus interesses pessoais e não um valor agregado. Seguindo esse raciocínio, a geração Z não gosta de resolver problemas com a ajuda dos outros, preferindo resolvê-los por si mesmos.
Fato consumado é que em cerca de dois anos o mercado de trabalho já vai agregar a geração Z e suas aspirações. Isso significa mudança e inovação de questões relacionadas a liderança, motivação e, principalmente, ao ambiente organizacional. A hierarquia vertical, por exemplo, não é bem vista por esses garotos, que podem facilmente conversar com o chefe como se falasse com o subalterno, apesar de identificar que o outro tem mais poder do que ele. Outra tendência refere-se à predileção por trabalhar em casa, na qual prevalece a comodidade, o recuo em relação ao trabalho em equipe e principalmente a questão individual, de trabalhar sozinho.

Outra característica marcante da Geração Z são problemas de interação social. Muitos deles sofrem com a falta de expressividade na comunicação verbal, o que acaba por causar diversos problemas principalmente com a Geração Y, anterior a sua. Essa Geração também é marcada pela ausência da capacidade de ser ouvinte.

A Geração Z é um tanto quanto desconfiada quando o assunto é carreira de sucesso e estudos formais, pois para eles isso é um tanto quanto vago e distante. Segundo especialistas, poderá haver uma “escassez” de médicos e cientistas no mundo pós-2020.
Enfim, essa geração – chamada também de Geração Silenciosa, talvez pelo fato de estarem sempre de fones de ouvido (seja em ônibus, universidades, em casa...), escutarem pouco e falarem menos ainda – pode ser definida como aquela que tende ao egocentrismo, preocupando-se somente consigo mesmo na maioria das vezes.






17 setembro 2012

ELEMENTOS DE COESÃO

RELAÇÃO DE SENTIDO
ELEMENTOS DE COESÃO

Causa 
porque, pois, por, porquanto, dado, visto, como, por causa de,  devido a, em vista de, em virtude de, em face de, em razão de,  já que, uma vez que, visto que, dado que.
Consequência
tão, tal, tamanho, tanto que, de modo que, de maneira que, de  sorte que, por conseguinte, logo, portanto, pois, assim sendo,  assim, como resultado.
Condição
se, caso, mediante, sem, salvo contanto que, desde que, a não  ser que, exceto se
Finalidade
para, porque para que, a fim de que, a fim de, com a intenção  de, com o propósito de, com o fito de, com o intuito de.
Prioridade,  relevância
em primeiro lugar, antes de mais nada, acima de tudo, precipuamente, mormente, principalmente, sobretudo.
Oposição
 mas, porém, contudo, todavia, entretanto, conquanto, no  entanto, apesar de, a despeito de, não obstante, malgrado a,  sem embargo de, se bem que, mesmo que, ainda que, em que pese, posto que, por mais que, por muito que, muito embora.
Comparação
 como, qual, do mesmo modo, como se, assim como, tal como, da mesma forma, sob o mesmo ponto de vista, semelhantemente, similarmente, de maneira idêntica, igualmente, por analogia, assim também.
Tempo , ordem, sucessão
quando, enquanto, apenas, mal, logo que, assim que, depois que, desde que, todas as vezes que, sempre que, então, enfim, logo depois, imediatamente, logo após, a princípio, posteriormente, em seguida, atualmente, hoje, constantemente, às vezes, ocasionalmente, raramente, nesse ínterim, nesse meio tempo, enquanto isso
Certeza,  ênfase
de certo, por certo, certamente, indubitavelmente,  sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.
Dúvida
talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, é provável, não é  certo, se é que, quem sabe?
Surpresa, imprevisto
inesperadamente, inopinadamente, de súbito, imprevistamente,  surpreendentemente
Propósito, intenção,  finalidade
com o fim de, a fim de, com o propósito de, propositadamente, de propósito, para que; intencionalmente
Contraste, restrição, ressalva
pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto, menos , conquanto, porém, todavia, embora, apesar de, entretanto.

Proporção
à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais...mais/menos.
Conformidade
como, consoante, conforme, segundo,  de acordo com, em  conformidade com.
Alternância
 Ou, nem ... nem, ou... ou, ora... ora, quer... quer, seja... seja.
Adição, continuação
e, nem (= e também não) não só... mas também, tanto... como,  não apenas ... como, além disso, ademais, outrossim, ainda mais, por outro lado, também, inclusive
Lugar, proximidade, distância
perto de, próximo a ou de, dentro, fora, mais adiante, além, este,esse, aquele, aquém de.

Ilustração, esclarecimento
por exemplo,  isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber, ou seja, o que equivale a.
Resumo, recapitulação,
conclusão
em suma, em síntese, em conclusão, enfim, em resumo, por último, assim, então, dessa forma.
Afirmação
A verdade é que, o fato é que, é inquestionável que, o certo é que , sabe-se que, é notório que, é de conhecimento comum que.



MORFOLOGIA - ADVÉRBIO E PREPOSIÇÃO

14 setembro 2012

O PASSARINHO ENGAIOLADO



    Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida o mínimo que se poderia dizer era que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita com arames de ferro ou de deveres. Os sonhos aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na alma, que cada um enche como pode. Assim, restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola.
   Bem se lembrava do dia em que, enganado pelo alpiste, entrou no alçapão. Alçapões são assim; têm sempre uma coisa apetitosa dentro. Do alçapão para a gaiola o caminho foi curto, através da Ponte dos
Suspiros.
   Há aquele famoso poema do Guerra Junqueiro, sobre o melro, o pássaro das risadas de cristal. O velho cura, rancoroso, encontrara seu ninho e prendera os seus filhotes na gaiola. A mãe, desesperada com o destino dos filhos, e incapaz de abrir a portinha de ferro, lhes traz no bico um galho de veneno. Meus filhos, a existência é boa só quando é livre. A liberdade é a lei. Prende-se a asa, mas a alma voa... Ó filhos, voemos pelo azul!... Comei!
   É certo que a mãe do passarinho nunca lera o poeta, pois o que ela disse ao seu filho foi: Finalmente minhas orações foram respondidas. Você esta seguro, pelo resto de sua vida. Nada há a temer. Não é preciso se preocupar. Acostuma-se. Cante bonito. Agora posso morrer em paz!
   Do seu pequeno espaço ele olhava os outros passarinhos. Os bem-te-vis, atrás dos bichinhos; os sanhaços, entrando mamões adentro; os beija-flores, com seu mágico bater de asas; os urubus, nos seus voos tranquilos da fundura do céu; as rolinhas, arrulhando, fazendo amor; as pombas, voando como flechas. Ah! Os prudentes conselhos maternos não o tranqüilizavam. Ele queria ser como os outros pássaros, livres... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
   Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta? Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
   Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas.
   O melhor seria não abusar, logo no primeiro dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Neste momento um insetinho passou voando bem na frente do seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu mostrando a língua.
   — Ei, você! - era uma passarinha. - Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato, que anda por lá... Só o nome gato lhe deu um arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas. A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com ele a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava. Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava dependurada. Teve saudades dele.       
   Teria de dormir num galho de árvore, sem proteção. Gatos sobem em árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
   Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola.    Voltou. Felizmente a porta ainda estava aberta.
   Neste momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
    — Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta.    
   Deve estar meio cego. Pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...


                                       (Rubem Alves)


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PINÓQUIO ÀS AVESSAS

  
   Era uma vez um menininho, de carne e osso, igual a tantos que se deleitam nas coisas simples que a vida dá. Ria nos seus mundos de faz de conta, voava nas asas dos urubus, assustava os peixes, nariz achatado nos vidros dos aquários, assobiava para os perus, andava na chuva. Todas estas coisas que as crianças fazem e os adultos desejam fazer e não fazem, por vergonha. Sua vida escorria feliz por cima do desejo.
   Não sabia que uma conspiração estava em andamento. Tudo começara bem antes, quando um nome lhe fora dado. Nome do pai. Claro, confissão de intenções: que o menino sem nome e sem desejos aceitasse como seus o nome e desejos de um outro que ele nem mesmo conhecia. Filho, extensão do pai, realização de desejos não realizados, sobrevivência do seu corpo, uma pitada de onipotência, uma gota de imortalidade.
   "Que é que ele vai ser quando crescer? Médico? Diplomata? Cientista?"
   E as conversas se prolongavam, temperadas com sorrisos e boas intenções, enquanto silenciosas se teciam as malhas do desejo em que pai e mãe esperavam colher/ acolher/ encolher o menino dos desejos simples...
   Até que chegou o dia em que lhe foi dito: “É preciso ir para a escola. Todos os meninos vão. Para se transformarem em gente. Deixar as coisas de criança. Em cada criança brincante dorme um adulto produtivo. É preciso que o adulto produtivo devore a criança inútil.”
   E assim aconteceu. Há certos golpes do destino contra os quais é inútil lutar.
   O menino de carne e osso aprendeu coisas curiosas: nomes de heróis, frases que teriam dito, as alturas de montes onde nunca subiria, as funduras de mares onde nunca desceria, a distância de galáxias, o 'SE', partícula apassivadora, o "se", símbolo de indeterminação do sujeito, nomes de cidades de países longínquos, suas populações e riquezas, fórmulas e mais fórmulas...
    Sabia que tudo aquilo deveria ter um motivo. Só que ele não entendia. O desejo permanecia selvagem. E disto eram provas aquelas notas vermelhas no boletim, testemunhas de como o menino cavalgava longe do desejo dos outros, conspiradores secretos, escondidos na monotonia dos currículos que não faziam o seu corpo sorrir...
   "Pra que serve tudo isto?", ele perguntava. E o pai respondia, sábio e paciente: “Um dia você saberá. Por hora basta de saber que papai sabe o que é melhor para seu filho...”
   O menino cresceu. E aconteceu que, em meio às suas rotinas, veio a se encontrar com dois cavalheiros bem-vestidos e de fala branda, que se puseram a contar estórias de um mundo encantado sobre o qual ele nunca ouvira falar. Eles disseram de heróis em aventais brancos cavalgando microscópios e telescópios, brandindo máquinas fantásticas e aparelhos misteriosos, em meio a líquidos mágicos que faziam viver e morrer, encastelados em templos onde as coisas visíveis ficavam invisíveis e as coisas invisíveis ficavam visíveis, e lhe disseram de prodígios de verdade, e lhe perguntaram se ele não desejava se transformar num mago, num artista... A recompensa? O Poder, o conhecimento de segredos que ninguém conhece, a glória, ser olhado por todos como um ser diferente, sublime, superior. Se os seus prodígios fossem maiores que os de todos, ele poderia aparecer no palco supremo da ciência, em país distante, onde os mortais se revestem de imortalidade...
   O menino grande se lembrou dos sonhos do menino pequeno. E sorriu. Finalmente, chegara o momento da sua realização. Estranhou que os narizes dos respeitáveis cavalheiros tivessem crescido enquanto falavam. Mas, logo o tranquilizaram: “É só para te cheirar melhor, meu filho...”
   Começaram as transformações. Primeiro os olhos. Já não refletiam outros olhares e nem borboletas...
    Aprenderam a concentração, a disciplina. Depois o corpo, que desaprendeu a dança, o voo dos papagaios e o brinquedo. Era necessário dedicar-se totalmente. Os pensamentos abandonaram as fantasias e os contos de fadas. Passaram a morar no mundo das fábulas e dos experimentos. Até o prazer da comida se satisfez com os sanduíches rápidos do almoço, e na cama o corpo se esqueceu do corpo...
   E aprendeu coisas preciosas. Que o corpo do cientista é neutro. Que ele não se comove por considerações de valor ou prazer. Que está acima da vida e da morte (isto é coisa de políticos, militares e clérigos), em dedicação total ao saber. Bastava-lhe ser um devotado servidor do progresso da Ciência.
   Mas tantos sacrifícios acabaram por receber merecida recompensa. A sorte soprou, favorável, e de seu corpo diferente surgiu uma nova magia, e o palco da imortalidade lhe foi aberto. Lá, perante todos, compreendeu que valera a pena. Duas lágrimas lhe rolaram pela face.
   Já não era o menino de outrora, carne e osso, crescera. Estava diferente. Os aplausos de madeira enchiam a sala. Era a glória. E foi então que o milagre aconteceu. O recinto se encheu de suave luminosidade, e a Mosca Azul, que até então só habitava os seus sonhos, veio de longe e roçou o seu rosto com suas asas. E a grande transformação aconteceu. Era um boneco de madeira, inteligência pura, sem coração. E os milhares de bonecos, iguais, de pé, não paravam de tamanquear os seus aplausos ao novo irmão, enquanto gritavam o seu nome: ”Pinóquio, Pinóquio , Pinóquio...”

                                                (Rubem Alves)


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