21 janeiro 2011

PECADOS DA LÍNGUA



















Acerca de - a cerca de - há cerca de

As expressões existem em nossa língua e estão absolutamente corretas. A confusão surge no momento de usá-las, por serem casos distintos. 


Acerca de é uma locução prepositiva e significa a respeito de, sobre... 

Exemplo: O ex-patrão deu boas referências acerca de Pedro.
 

A cerca de é, na verdade, locução mais sintética: cerca de. "Cerca de dez pessoas ficaram soterradas à noite, quando a barreira deslizou." O a é preposição e uma contingência regencial:  
Exemplo:Pedi a cerca de dez jornalistas que ficassem atentos às últimas notícias.
Tem valor de aproximadamente, perto de, mais ou menos.

Há cerca de nada mais é do que a locução prepositiva antecedente, acompanhada do verbo haver na acepção de tempo decorrido.

 Exemplo:As aulas recomeçaram há cerca de duas semanas.


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QUE NUNCA HAJA" MENAS PERCAS."


















Nunca diga "menas" nem "perca"

Alguns erros de português provocam estragos devastadores na imagem do falante. Entre os mais graves estão o uso equivocado de duas palavras que ainda confundem muita gente. Nunca, mas nunca mesmo, diga "menas" ou use "perca" como substantivo.


Menas - Apague essa palavra de seu dicionário. "Menas" não existe. O correto é "menos", mesmo que a palavra seguinte venha no feminino: menos escolas, menos pobreza, menos denúncias de corrupção, menos falhas.


Perca - Nunca utilize "perca" como substantivo, no sentido contrário de "ganho". O certo é "perda": perda de material, perda de poder aquisitivo, perda de memória, perda de peso. "Perca" é verbo (sentido contrário de encontrar): não se perca de mim, não perca credibilidade falando errado.



*Esperemos que agora haja menos perdas no uso vernáculo!



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SUPERCERTO












Embora seja frequente, em anúncios publicitários, a 
escrita do prefixo super separado do termo o qual 
qualifica, o correto é que,  como prefixo, seja escrito 
junto à palavra seguinte  (superoferta, por exemplo). 

Exceções: o prefixo super só será separado diante de
palavras iniciadas por h ou r: super-homem, super-rápido.

"Uma superdica par se ficar superatento."

17 janeiro 2011

OS PECADOS DA LÍNGUA














Nunca diga
 
Muito cuidado com alguns erros bastante comuns. Morda a língua a tempo e nunca diga:
 
1. "Fazem" dez anos. Fazer, no sentido de tempo, é impessoal e não varia. O certo é Faz dez anos.
 
2. "Houveram" muitos casos. Haver, no sentido de "existir", também é invariável: Houve muitos casos é o certo.
 
3. Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. O certo é : Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

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10 janeiro 2011

COLOCAÇÃO PRONOMINAL























A colocação do pronome em relação ao verbo pode ser classificada em;

- próclise: antes do verbo 
(Nada se perde.)

- mesóclise: no meio do verbo 
(Dirigir-lhe-emos a palavra.)

- ênclise: depois do verbo 
(Fugiram-nos as palavras.)

A regra geral diz que se deve colocar o pronome enclítico, desde que não haja fator de próclise ou seja um dos futuros do indicativo, com atenção aos casos especiais
.
São fatores de próclise:

- oração negativa, desde que não haja pausa entre o verbo e as palavras de negação.
a) Ninguém se mexe.
b) Nada me abala.

Se a palavra negativa preceder um infinitivo não-flexionado, é possível a ênclise:
Calei para não magoá-lo.

- frases exclamativas (começadas por palavras exclamativas) e optativas (desejo).
a) Deus te guie!
b) Quanto sangue se derramou inutilmente!

- conjunção subordinativa.
a) Preciso de que me responda algo.
b) O homem produz pouco, quando se alimenta mal.

A elipse da conjunção não dispensa a próclise: Quando passo e te vejo, exalto-me.
- pronome ou palavras interrogativas.
a) Quem me viu ontem?
b) Queria saber por que te afliges tanto.

- pronome indefinido, demonstrativo e relativo.
a) Alguém me ajude a sair daqui.
b) Isso te pertence.
c) Ele que se vestiu de verde está ridículo.

- advérbio (não seguido de vírgula) e o numeral ambos.
a) Aqui se vê muita miséria.
b) Aqui, vê-se muita miséria.
c) Ambos se olharam profundamente.

Se o sujeito estiver logo antes do verbo, a próclise será facultativa. Este fator, entretanto, não pode quebrar o princípio dos fatores de próclise.
Ele se feriu ou ele feriu-se.

a) O homem se recupera ou o homem recupera-se. Ninguém me convencerá.
b) Tudo se fez por uma boa causa.

Por questão de eufonia, pode-se preferir a próclise ao invés da ênclise, quando o sujeito vier antes do verbo
"Cada dia lhe desfolha um afeto."
Você viu-o.
Você o viu.

O uso de mesóclise:

Respeitados os princípios de próclise, far-se-á mesóclise caso o verbo esteja nos tempos futuros do indicativo.

Dar-te-ia = daria + te.
dar-te-ei = darei + te.

a) Diante da platéia, cantar-se-ia melhor.
b) Os amigos sinceros lembrar-nos-ão um dia.

Usa-se ênclise:

- em início da frase ou após sinal de pontuação.
- casos não proclíticos e não mesoclíticos em geral.
- nas orações imperativas afirmativa.

Procure suas colegas e convide-as.

- junto ao infinitivo não flexionado, precedido da preposição a, em se tratando dos pronomes o/a (s).
a) Todos corriam a escutá-lo com atenção.
b) Ele começou a insultá-la.
c) Nem sei se nos tornaremos a vê-los novamente.

Estando o infinitivo pessoal regido da preposição para, é indiferente a colocação do pronome oblíquo antes ou depois do verbo, mesmo com a presença do advérbio não.
a) Silenciei para não irritá-lo.
b) Silenciei para não o irritar.

Quanto às formas infinitas e locuções verbais:


- infinitivo, regra geral = ênclise (Viver é adaptar-se.)

Admite-se também a próclise se o infinitivo não-flexionado vier precedido de preposição ou palavra negativa (para te servir / servir-te, não o incomodar / incomodá-lo)

Se o pronome for o/a (s) e o infinitivo regido da preposição a, é obrigatória a ênclise.

Se o infinitivo vier flexionado, prefere-se a próclise (desde que não inicie o período)

- gerúndio, regra geral = ênclise

A próclise é obrigatória se: o gerúndio vier precedido da preposição em ou se o gerúndio vier precedido de advérbio que o modifique diretamente, sem pausa (Em se tratando de colocação pronominal, sei tudo!)

- particípio,

Sem auxiliar não admite próclise ou ênclise e sim a forma oblíqua regida de preposição.
Concedida a mim a preferência, farei por merecê-la. 

Para as locuções verbais:

- auxiliar + infinitivo (podem os pronomes, conforme as circunstâncias, estar em próclise ou ênclise, ora ao verbo auxiliar, ora à forma nominal.)
Devo calar-me / devo-me calar / devo me calar
Não devo calar-me / não me devo calar / não devo me calar.

Mesmo com fator de próclise, a ênclise no infinitivo é correta.
- Auxiliar + preposição + infinitivo (Há de acostumar-se / há de se acostumar - Não se há de acostumar / não há de acostumar-se.)

- Auxiliar + gerúndio (podem os pronomes, conforme as circunstâncias, estar em próclise ou ênclise, ora ao verbo auxiliar, ora à forma nominal.):
Vou-me arrastando / vou me arrastando / vou arrastando-me
Não me vou arrastando / não vou arrastando-me.

Com fator de próclise, o pronome não pode aparecer entre os verbos.

Auxiliar + particípio (os pronomes se juntam ao auxiliar e jamais ao particípio, de acordo com as circunstâncias.

a) Os amigos o tinham prevenido.
b) Os amigos tinham-no prevenido.

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03 janeiro 2011

QUADRO SOBRE O USO DO HÍFEN EM PALAVRAS COMPOSTAS.




PALAVAS COMPOSTAS
ELEMENTOS OU
PALAVRAS
REGRAS
EXEMPLOS
OBSERVAÇÕES;
SAIBA MAIS
Compostas comuns
1. Usa-se hífen nas palavras compostas comuns, sem preposições, quando o primeiro elemento for substantivo, adjetivo, verbo ou numeral.
Amor-perfeito,
boa-fé,
guarda-noturno,
guarda-chuva,
criado-mudo,
decreto-lei.
A) Formas adjetivas como afro, luso, anglo, latino não se ligam por hífen:
afrodescendente, eurocêntrico,
lusofobia,
eurocomunista
.
B) Mas com adjetivos pátrios (de identidade), usa-se o hífen:
afro-americano,
latino-americano,
indo-europeu,
ítalo-brasileira,
anglo-saxão
.
C) Se a noção de composição desapareceu com o tempo, deve-se unir o composto sem hífen:
pontapé,
madressilva,
girassol,
paraquedas,
paraquedismo
(perdida a noção do verbo parar);
mandachuva (perdida a noção do verbo mandar).
D) Demais casos com para e manda usam hífen:
para-brisa,
para-choque
(sem acento no para);
manda-tudo,
manda-lua
.
E) Compostos com elementos repetidos também levam hífen:
tico-tico,
tique-taque,
pingue-pongue,
blá-blá-blá
.
F) Compostos com apóstrofo também levam hífen:
cobra-d'água,
mãe-d'água,
mestre-d'armas
.
Nomes geográficos antecedidos de grão, grã ou verbos
2. Usa-se o hífen em nomes geográficos compostos com grã e grão ou verbos de qualquer tipo.
Grã-Bretanha,
Grão-Pará,
Passa-Quatro.
Demais nomes geográficos compostos não usam hífen:
América do Norte,
Belo Horizonte,
Cabo Verde
.
(O nome
Guiné-Bissau

é uma exceção).
Espécies vegetais/ animais
3. Usa-se o hífen nos compostos que designam espécies vegetais e animais.
bem-te-vi,
bem-me-quer,
erva-de-cheiro,
couve-flor,
erva-doce,
feijão-verde,
coco-da-baía,
joão-de-barro,
não-me-toques

(planta).
Se a palavra for usada em sentido figurado, não leva hífen: Ela está cheia de não me toques (melindres).
Mal
4. Usa-se hífen com mal antes de vogais ou h ou l.
mal-afamado,
mal-estar,
mal-acabado,
mal-humorada,
mal-limpo.
A) Escreva, porém: malcriado,
malnascido,
malvisto,
malquerer,
malpassado
.
B) Escreva com hífen no feminino:
má-língua,
más-línguas
.
Além, aquém, recém, bem, sem
5. Usa-se hífen com além, aquém, recém, bem e sem.
além-mar,
aquém-oceano,
recém-casado,
recém-nascido,
bem-estar,
bem-vindo,
sem-vergonha.
Quando o bem se aglutina com o segundo elemento, não se usa hífen: benfeitor,
benfeitoria,
benquerer,
benquisto
.
Locuções
6. Não se usa hífen nas locuções dos vários tipos (substantivas, adjetivas etc).
à vontade,
cão de guarda,
café com leite,
cor de vinho,
fim de semana,
fim de século,
quem quer que seja,
um disse me disse.
A) Certas grafias consagradas agora são exceções à regra. Escreva:
água-de-colônia,
arco-da-velha,
pé-de-meia,
mais-que-perfeito,
cor-de-rosa,
à queima-roupa,
ao deus-dará
.
B) Outras expressões/locuções que não usarão hífen:
bumba meu boi,
tomara que caia,
arco e flecha,
tão somente,
ponto e vírgula
.
C) Escreva também sem hífen as locuções à toa (adjetivo ou advérbio), dia a dia (substantivo e advérbio) e arco e flecha.
Encadeamentos de palavras
7. Os encadeamentos vocabulares levam hífen (e não mais traço).
A relação
professor-aluno.
 
O trajeto
Tóquio-São Paulo.
 
Ponte Rio-Niterói

Um acordo
Angola-Brasil. 

Áustria-Hungria.

Alsácia-Lorena.

Hífen no fim da linha
8. Quando cai no fim da linha, o hífen deve ser repetido, por clareza, na linha abaixo.
Avistei a ponte Rio- -Niterói.
 
Comemos couve- -flor.

FALANDO DIFÍCIL

PROCESSO DE FORMAÇÃO DAS PALAVRAS

















Considerações Iniciais

PALAVRAS PRIMITIVAS – palavras que não são formadas a partir de outras.

Exemplo: pedra, casa, paz, etc.

PALAVRAS DERIVADAS – palavras que são formadas a partir de outras já existentes.

Exemplo: pedrada (derivada de pedra), ferreiro (derivada de ferro).

PALAVRAS SIMPLES – são aquelas que possuem apenas um radical.

Exemplo: cidade, casa, pedra.

PALAVRAS COMPOSTAS - são palavras que apresentam dois ou mais radicais.

Exemplo: pé de moleque, pernilongo, guarda-chuva.

Na língua portuguesa existem dois processos de formação de novas palavras: derivação e composição.

DERIVAÇÃO

É o processo pelo qual palavras novas (derivadas) são formadas a partir de outras que já existem (primitivas). Podem ocorrer das seguintes maneiras:

Prefixal;
Sufixal;
Parassintética;
Regressiva;
Imprópria.

PREFIXAL – processo de derivação pelo qual é acrescido um prefixo a um radical.

Exemplo: desfazer, inútil.
Vejamos alguns prefixos latinos e gregos mais utilizados:

PREFIXO LATINO
PREFIXO GREGO
SIGNIFICADO
EXEMPLOS
PREF. LATINO
PREF. GREGO
Ab-, abs-
Apo-
Afastamento
Abs/ ter
Apo/ geu
Ambi-
Anfi-
Duplicidade
Ambí/ guo
Anfí/ bio
Bi-
di-
Dois
/ pede
/ grafo
Ex-
Ex-
Para fora
Ex/ ternar
Êx/ odo
Supra
Epi-
Acima de
Supra/ citar
Epi/ táfio

SUFIXAL – processo de derivação pelo qual é acrescido um sufixo a um radical.

Exemplo: carrinho, livraria.

Vejamos alguns sufixos latinos e alguns gregos:

SUFIXO LATINO
EXEMPLO
SUFIXO GREGO
EXEMPLO
-ada
Paulada
-ia
Geologia
-eria
Selvageria
-ismo
Catolicismo
-ável
Amável
-ose
Micose

PARASSINTÉTICA – processo de derivação pelo qual é acrescido um prefixo e sufixo simultaneamente ao radical.

Exemplo: anoitecer, pernoitar.

OBSERVAÇÃO :

Existem palavras que apresentam prefixo e sufixo, mas não são formadas por parassíntese. Para que ocorra a parassíntese é necessários que o prefixo e o sufixo juntem-se ao radical ao mesmo tempo. Para verificar tal derivação basta retirar o prefixo ou o sufixo da palavra. Se a palavra deixar de ter sentido, então ela foi formada por derivação parassintética. Caso a palavra continue a ter sentido, mesmo com a retirada do prefixo ou do sufixo, ela terá sido formada por derivação prefixal e sufixal.

REGRESSIVA - processo de derivação em que são formados substantivos a partir de verbos.

Exemplo: Ninguém justificou o atraso. (do verbo atrasar)
O debate foi longo. (do verbo debater)

IMPRÓPRIA - processo de derivação que consiste na mudança de classe gramatical da palavra sem que sua forma se altere.

Exemplo: O jantar estava ótimo

COMPOSIÇÃO

É o processo pelo qual a palavra é formada pela junção de dois ou mais radicais. A composição pode ocorrer de duas formas:

JUSTAPOSIÇÃO e AGLUTINAÇÃO.

JUSTAPOSIÇÃO – quando não há alteração nas palavras e continua a serem faladas (escritas) da mesma forma como eram antes da composição.

Exemplo: girassol (gira + sol), pé-de-moleque (pé + de + moleque)

AGLUTINAÇÃO – quando há alteração em pelo menos uma das palavras seja na grafia ou na pronúncia.

Exemplo: planalto (plano + alto)

Além da derivação e da composição existem outros tipos de formação de palavras que são hibridismo, abreviação e onomatopeia.

ABREVIAÇÃO OU REDUÇÃO

É a forma reduzida apresentada por algumas palavras:

Exemplo: auto (automóvel), quilo (quilograma), moto (motocicleta).

HIBRIDISMO

É a formação de palavras a partir da junção de elementos de idiomas diferentes.

Exemplo: automóvel (auto – grego + móvel – latim), burocracia (buro – francês + cracia – grego).

ONOMATOPEIA

Consiste na criação de palavras através da tentativa de imitar vozes ou sons da natureza.

Exemplo: fonfom, cocoricó, tique-taque, pum, clique, boom!.