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Mostrando postagens de Outubro, 2013

KIKI DO REBOLADO

— Kátia Killer? — perguntou a irmã de caridade entrando no quarto, e Kiki bem percebeu que a freira nunca acreditara ser aquele seu nome verdadeiro.    — Sou eu — disse em tom angustiante; e aprumou-se na cadeira.    — Sempre resolvida a entregar o recém-nascido?    — Sou mãe solteira, irmã — desculpou-se, agora os olhos baixos — há muito saí de casa.    Na profissão que abracei...    A freira persignou-se:    — Em nome de Deus, fiz tudo que pude — olhou o alto, suspirou, olhou a moça.    — Vou buscar o papel para você assinar; o casal que vai adotar a criança quer o preto no branco.    Quando a irmã saiu, Kiki deslizou o olhar para as três camas já esticadas — a sua, a duma tal de Cida, que, em situação igual, partira na véspera, e a da moça sendo cesariada naquela hora: "Coita da! saíra há pouco, descorada de dor."    Kiki levantou-se da cadeira onde estivera esperando; encaminhou-se para a grande janela de vidraças abertas. A luz da manhã favorecia e nelas pôde espelhar-se de corp…