28 março 2011

VOO LIVRE



    “ O pobre homem, já prestes a pular da ponte, olhava todos em volta, como a procurar quem o socorresse. Eu, que estava mais próximo, achei-me na obrigação de ajudá-lo. Falei-lhe a pouco menos de um metro:”- Não faça isso, amigo! “ Observei, pela aliança que trazia no dedo da mão esquerda, tratar-se de um homem casado, e pelo terno e pasta executiva, deduzi fosse homem de negócios. Arrisquei, então esta frase: 
    Pense em sua esposa, em seu emprego. 
   Ouvindo o que eu falava, o infeliz não teve dúvidas: Atirou-se da ponte num mergulho mortal sobre o asfalto que o esperava vinte metros abaixo. Minhas palavras foram o estímulo e a coragem de que precisava para pôr fim à vida.     
    Informaram-me horas depois que o suicida havia perdido o emprego após longos anos de dedicação e trabalho e, chegando em casa arrasado, surpreendeu sua esposa enroscada ao corpo  nu do diretor da empresa de que fora demitido.  

                                                                                              ( Maurício Palmeira )
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