01 abril 2011

VÍCIOS DE LINGUAGEM



VÍCIOS DE LINGUAGEM



Quando um desvio da norma culta se dá pela falta de conhecimento da língua padrão por parte do falante, temos os chamados vícios de linguagem.

      Os principais vícios de linguagem são:



      1. Ambiguidade ou anfibologia –  constitui-se em frase defeituosa por apresentar duplo sentido.

      Pedro visitou seu amigo e depois saiu com sua noiva.

      Convence, enfim, o pai o filho amado.

      Comprei meias para senhoras claras.

      O guarda deteve o suspeito em sua casa.



      2. Barbarismo – consiste em grafar ou pronunciar palavras em desacordo com a norma culta.  É também considerado barbarismo o desvio semântico de determinado vocábulo, ou seja, uso inadequado quanto ao seu significado. 

      Os erros de pronúncia são chamados de cacoépia (areoporto, em vez de aeroporto; hilariedade, em vez de hilaridade)

      Quando o erro de pronúncia for por deslocamento da sílaba tônica, chama-se também silabada (rúbrica, em vez de rubrica; íbero, em vez de ibero)

      O erro de grafia – troca de letras, divisão silábica incorreta, etc. –  é chamado de cacografia (magestoso, em vez de majestoso; pixe, em vez de piche; tun-gs-tê-ni-o, em vez de tungs-tê-nio).

      Também é considerado barbarismo o estrangeirismo, ou seja, o uso indevido de expressões ou frases estrangeiras em nossa língua.  Conforme a procedência, dividem-se em francesismos ou galicismos, anglicismos, italianismos, castelhanismos ou espanholismos, etc.

     Eis alguns exemplos:

      a) de galicismos: charge, em vez de caricatura; guardar o leito, em vez de ficar acamado; débâcle, em vez de derrota, fracasso.

      b) de anglicismoscast, em vez de elenco, conjunto, grupo; speacker, em vez de locutor; pedigree; em vez de raça, ascendência, linhagem.

      c) de castelhanismos: ficcionado, em vez de torcedor, simpatizante, admirador; resultar bom, em vez de tornar-se bom, ficar bom.

      d) de italianismos: entrar de sócio, em vez de entrar como sócio; repetir de ano, em vez de repetir o ano.



      3. Solecismo – São erros contra a norma culta da língua, quanto à regência, à concordância e à colocação pronominal.

      a) Solecismos de concordância:

          Fazem dois anos que trabalho nesta empresa. (ERRADO)

          Faz dois anos que trabalho nesta empresa. (CERTO)

          Vende-se cofres. (ERRADO)

          Vendem-se cofres. (CERTO)

          Houveram algumas dúvidas quanto à concordância. (ERRADO)

          Houve algumas dúvidas quanto à concordância. (CERTO)

     

      b) Solecismos de regência:

          Já assisti este filme. (ERRADO)

          Já assisti a este filme. (CERTO)

          O cargo de diretor era aspirado por muitas pessoas. (ERRADO)

          Muitas pessoas aspiravam ao cargo de diretor. (CERTO)

          Fui na casa da minha amiga ontem à noite. (ERRADO)

          Fui à casa da minha amiga ontem à noite. (CERTO)



      c) Solecismos de colocação:

          Me empresta o teu livro?  (ERRADO)

          Empresta-me o teu livro?  (CERTO)

          Vivia com dificuldades, pois era um pobre homem. (ERRADO)

          Vivia com dificuldades, pois era um homem pobre. (CERTO)

          Mauá foi um homem grande. (ER-RADO)

          Mauá foi um grande homem.  (CER-TO)



      4. Arcaísmo – Consiste no emprego de palavras que já caíram em desuso.

      Vossa Mercê me permite um aparte?  (Em vez de você)

      O boticário não pode substituir o médico.  (Em vez de farmacêutico)



      5. Neologismo Consiste na criação desnecessária de uma palavra:

      Na cidade onde moro, nos domingos à tarde, a galera costuma andar de carro no bobódromo.      

     

      Obs.1: Não é considerado vício de linguagem, nem desnecessário, o neologismo criado para designar algo igualmente novo, ou para obter efeito estilístico.

      A remasterização é um recurso extremamente válido, para a memória da música.

      A terceirização diminui despesas das empresas.

      Todas as gravuras foram escaneadas.

     

      Obs. 2: Na Gramática expositiva de Eduardo Carlos Pereira, cuja primeira edição é de 1907, a palavra fonógrafo (S.m. Antigo aparelho destinado a reproduzir sons grafados em cilindros ou discos metálicos ou aparelho que reproduz os sons gravados em discos sob a forma de sulcos espiralados, gramofone) aparece classificada como neologismo. Hoje, classificamo-la como arcaísmo.



      6. Cacófato – é a palavra ridícula ou obscena, resultante da união de sílabas de palavras vizinhas. 

      Ela tinha muitas qualidades.

      Não gostaram do nosso hino.



      7. Plebeísmo – são palavras triviais ou gírias.  Devem ser evitados, pois denotam, por quem os usa, grosseria, falta de instrução, boçalidade.

     Ele era um cara bacana.

     A galera reunia-se no bobódromo.

     Fiquei besta com a atitude dela.



      8. Eco – é a rima na prosa. 

      Então, o Clemente, corajosamente, enfrentou o valente tenente.

      9. Hiato – é o efeito acústico desagradável provocado por uma sequência de vogais.

      Há alguns dias que eu o ouço cantar à hora do almoço.



     10. Colisão – ocorre quando existe uma sequência de consoantes iguais ou semelhantes.

     Corrija já aquelas provas.

     Mamãe me mandou marcar a manga da minha malha.



     11. Pleonasmo – consiste no emprego de uma redundância, ou seja, uma palavra ou expressão que nada acrescenta à frase. É importante ressaltar que este tipo de pleonasmo não pode ser confundido com o pleonasmo estilístico, usado para realçar um elemento da frase. 

      Ele saiu para fora.

      Precisamos encarar de frente o problema.

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