21 novembro 2016

O MELHOR DIA DOS PAIS



    Não muito feliz, por ser véspera do dia dos pais, em função de ter sido abandonado por tal membro da família, Dr. Vicente Schimeli dedica o seu domingo a um plantão no hospital. Torcia para que nada mais grave acontecesse, para que não precisasse realizar nenhum processo cirúrgico.
    Até aquele momento, tudo estava tranquilo, nada de muito grave acontecera. Continuou assim ao longo do dia. Eis que Dr. Vicente percebe um alvoroço com a chegada da ambulância.     
   Então procura saber o que aconteceu. Os paramédicos informaram-lhe que um homem havia sofrido um grave acidente.      
    O homem tinha aproximadamente 60 anos e precisaria de cirurgia urgente, porque as ferragens do carro haviam entrado em seu peito.
    Sabendo da situação do homem e da gravidade do acidente, entrou em contato com o centro cirúrgico, com o propósito de ver se já podiam encaminhá-lo para a sala de cirurgia. Uma das enfermeiras o informa pelo telefone:
     - Dr. Vicente, o cirurgião do hospital acabou o seu plantão há algumas horas e já foi para casa. O único com capacidade de realizar tal procedimento é o senhor.
    Dr. Vicente entra em desespero por ter uma vida em suas mãos. Pensa na possibilidade de transferir o paciente para outro hospital, porém o mesmo está entre a vida e a morte, e não resistiria ao tempo de transferência.
    Muito nervoso, vagando pelos corredores do hospital, pensando na situação, encontrou uma família aos prantos.  A família, ao ver o Dr. Vicente, implora por notícias de seu familiar, o qual tinha dado entrada no hospital fazia muito pouco tempo. Ao perceber que aquela família falava do mesmo paciente cujas ferragens haviam-no perfurado, respira fundo e esclarece:
    - O paciente se encontra em um caso muito grave e precisará passar por uma cirurgia de grande risco. Infelizmente, o cirurgião especializado neste caso encerrou seu plantão. O único com disponibilidade para realizá-la sou eu, apesar de não ser minha especialidade clínica, farei tudo o que puder para que ele sobreviva.
    A família, ainda muito nervosa, é encaminhada à sala de espera. Dr. Vicente é tomado pelo nervosismo ao dar-se conta de que terá que realizar a cirurgia e superar seu medo. Então, coloca a roupa apropriada para a intervenção cirúrgica, faz suas orações e se encaminha para realizar o procedimento. Depois de longas horas angustiantes, Dr. Vicente, mais tranquilo, vai até a família para dar a notícia.
     - Fico feliz em dizer-lhes que tudo ocorreu bem, mas, como ele sofreu um grave acidente, precisará ficam em observação por mais alguns dias.
    A família respira aliviada, agradece-lhe insistentemente e pergunta quando poderiam vê-lo. Dr. Vicente baixa a cabeça por um segundo e pensa em uma resposta. Finalmente, fala:
    - Desculpem-me, mas por enquanto ele não pode receber visita. Pelo menos nas primeiras horas, não! O caso é grave e precisamos esperar que ele acorde.
    Assim, passaram algumas horas, Dr. Vicente foi até o quarto do homem para olhar sua ficha. Afinal, quando ele acordasse, seu médico saberia, ao menos o seu nome. Logo, entrou no quarto e só ouvia o barulho das máquinas que o auxiliavam a respirar. Estava tudo aparentemente certo, pegou a ficha e lá estava: Mauro Schimeli, 60 anos, e mais todos os detalhes que só convinha aos enfermeiros e médicos. Então, faz algumas anotações e sai do quarto com a impressão de que, além do sobrenome em comum, esse nome também lhe era familiar.
    Ao amanhecer do dia dos pais, Dr. Vicente é chamado por uma das enfermeiras para avisar que o senhor Mauro havia acordado.
    Encaminha-se ao quarto para ver como ele está, informa-o que levará sua família ao seu encontro. Dr. Vicente leva a família ao quarto do paciente e sai para deixá-los à vontade. Aproveita para fazer uma ligação para sua mãe e pede algumas informações sobre o seu pai. Sabendo dos detalhes, fica atônito e desliga o telefone.
   Enquanto o Dr. Vicente falava ao telefone, a família continuava no quarto, conversando com o Mauro. Ele, ao saber o que havia acontecido, fica feliz e muito aliviado por ter sobrevivido, e questiona a sua família o nome do homem que lhe havia salvado a vida.
    É então que Dr. Vicente retorna ao quarto, e após alguns minutos de conversa e informações trocadas com Mauro, se dá conta de que tudo aquilo não se tratava só de uma coincidência. Mauro, então, com um sorriso no rosto e um olhar emocionado, exclama ao médico:
    - Obrigado por ter salvado minha vida, meu filho!
    - Foi uma honra, meu pai!
    A comoção tomou conta de todos que se encontravam no quarto do hospital.


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Conto de autoria das alunas: 

Letícia Torres da Silva e Taciana Deglmann 

Alunas do 1° ano do Ensino Médio - Turma 01 


(SENAI - SUL - 2016)


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