14 fevereiro 2016

QUEDA LIVRE

    



                     
    O pobre homem, já prestes a pular da ponte, olhava todos em volta, como a procurar quem o socorresse. Eu, que estava mais próximo, achei-  -me na obrigação de ajudá-lo. 
   Falei-lhe a pouco menos de um metro:
   – Não faça isso, amigo!  
  Observei, pela aliança que trazia no dedo da mão esquerda, tratar-se de um homem casado, e pelo terno e pasta executiva, deduzi fosse homem de negócios. Arrisquei, então esta frase: 
      – Pense em sua esposa, em seu emprego! 
   Ouvindo o que eu falava, o infeliz não teve dúvidas: Atirou-se da ponte num mergulho mortal sobre o asfalto que o esperava vinte metros abaixo. Minhas palavras foram o estímulo e a coragem de que precisava para pôr fim à vida.     
     Informaram-me horas depois que, naquele dia,  o suicida havia perdido o emprego, após longos anos de dedicação e trabalho e, chegando em casa arrasado, surpreendeu sua esposa enroscada ao corpo  nu do diretor da empresa de que fora demitido.

                                           Maurício Palmeira

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