01 novembro 2012

DELÍRIOS DE UMA MENTE CANSADA



   Sabe quando você apaga a última lâmpada da sua casa, seus olhos não se acostumam à escuridão e você sente aquele frio na espinha? Não importa se é criança, adulto ou velho...
   Você sempre sente o ar esfriar de repente em profunda escuridão, como se seu sangue gelasse só por estar naquele ambiente sombrio.
Quase todas as pessoas deixam a luz do quarto acesa  e se foca a luz no caminho de volta, outras quando apagam as luzes, caminham rapidamente de volta ao seu quarto, mas poucos olham para trás e observam o que está às suas costas...
Você sabe que não tem nada lá atrás, pelo menos é o que você quer acreditar...
   Mesmo quando você está deitado, tentando pegar no sono, e ouve barulhos estranhos no porão, no corredor, na cozinha ou mesmo no banheiro, você ignora, tentando raciocinar no que poderia ter causado tais eventos sonoros, como o vento ou algum objeto que caiu pela casa... As crianças têm muito medo disso, porém são criadas para ignorar e acreditar que não há nada de sobrenatural lá...
   Eu acreditava...
  Meus pais foram viajar nas vésperas do verão do ano passado, deixando alguns trocados para eu comprar o que comer. Eles ficariam fora exatamente uma semana, mas isso não mudaria nada para mim, pois eu trabalhava como estagiário o dia todo e ficava até tarde na faculdade, pois eu estava no último semestre e tinha que passar de ano, caso contrário não iria conseguir ser promovido. Chegava cansado todo dia, dava um “oi” para minha mãe, comia um lanche, tomava um banho e ia dormir. Minha rotina.
Mas não foi assim que ocorreu naquela noite em que meus pais viajaram...
   Ao sair da faculdade, me deparei que estava demasiadamente exausto, com enxaqueca e dor na vista, cumpri meu rigoroso ritual até o quarto, fechei minha porta e minha janela como de costume.  Deitei meu corpo exausto na cama onde logo adormeci.
Acordei pela madrugada com muito frio, notei que havia algo fora do normal pelo meu quarto, uma corrente de ar gelado que me fez correr um frio na espinha. Logo percorri o olhar pelo quarto procurando a fonte de tal brisa e percebi que minha cortina fazia movimentos sutis. Levantando-me da cama, senti mais um arrepio, mas estava entorpecido pelo sono e então não dei muito importância para o fato.            Aproximando-me da cortina coberta pela luz do luar percebi que a janela estava aberta, uma fresta com espaço suficiente para uma criança passar. Imaginei ainda com o sono que a havia esquecida aberta.
   Fechei a janela, me certificando de que não houvesse mais a possibilidade de ela abrir-se. Virando-me percebi que minha garganta estava um tanto quanto seca, resolvi ir até a cozinha pegar um copo da água e ao passar pela porta, a qual estava aberta, o que não era normal- não consigo dormir com ela aberta, me sinto deveras inseguro-.
Esta é aquela hora em que mil possibilidades de possíveis tragédias passam pela mente. Com o peito apertado, acelerando a respiração e sentindo a tensão invadindo meu corpo assustado resolvi entrar, com um punho cerrado e a outra mão tateando as paredes na escuridão tenebrosa do corredor que dava acesso ao quarto de meus pais e ao banheiro em busca de um interruptor. Acendendo a luz consegui me acalmar um pouco, estava com as mãos trêmulas e suando frio com apenas uma questão em mente: “O que ou quem abriu a maldita janela e a maldita porta!?”.
 Estava suando frio, sem sentir as pontas de meus dedos, o medo havia tomado conta do meu consciente e a adrenalina estava prestes a ser injetada em meu corpo. Desci as escadas com a mão no corrimão, com muito cuidado, olhando para o seu final esperando encontrar algo.  Havia um silêncio, um silêncio fúnebre e um ar gelado que pairava no ar, a essa altura eu estava tremendo.
Terminando o lance de escadas me aproximei da sala, checando cada canto escuro, cada lugar onde seria um potencial local de onde haveria a possibilidade de surgir algo, qualquer coisa, qualquer coisa que viria para cima de mim. Novamente o frio percorreu minha espinha, acendi a luz da sala, olhei ao redor, nada.
Aproximando-me da entrada da cozinha ouvi um som agudo, um miado, que na hora parecia algo muito pior, me assustei dando um salto que achei que fosse alcançar o teto, era o meu gato. Tudo fez sentido, claro, ele abriu a porta que eu devo ter deixado encostada, tentei me acalmar acreditando nisso, acreditando que eu estava paranoico, que tudo não passava de fruto da minha fértil imaginação, pelo menos era o que eu queria acreditar. Abri a geladeira, peguei o jarro de água, enchi um copo e tomei.
Retornando para o meu quarto, apaguei a luz da cozinha, chamei pelo gato, nenhuma sinal dele. Subi o lance de escadas, cheguei no corredor, estava escuro, as luzes apagadas, exatamente o contrário de como eu havia deixado. O medo voltou e senti um terror, como se todo o meu sangue houvesse congelado. Uma sombra, sim, uma sombra que cortava a luz do luar que penetrava meu quarto.
Com o desespero provocando tremores, lembro-me da pistola de meu pai, uma herança de família. Em três passos cheguei ao quarto de meus pais, abri a gaveta e na velha caixa, encontrei a arma. Senti um alívio momentâneo e uma sensação estranha ao tocar no metal gelado. Com a arma em mãos fui até o corredor, me aproximei da porta do meu quarto, respirei fundo e entrei com o dedo no gatilho, mas não havia nada lá.
  Um baque vindo da cozinha me fez virar rapidamente, havia algo lá embaixo. Corri até as escadas e comecei a descer os degraus. Senti uma dor no pé direito e perdi o chão. Senti-me caindo em um vazio na escuridão e de repente tudo se apagou. Apenas escuro...
“Pi... Pi... Pi... Pi...” Este zunido me fez acordar. O lugar era claro, o ar fresco e um odor peculiar. Meus pais estavam me olhando deitado em uma cama meio desconfortável. “Cancelamos a viagem até você se recuperar totalmente, filho.” Percebi que estava em um hospital.

Autores: João Victor, Felipe Polati, Lucas Monteiro, Luis Salfer ( alunos do SENAI -Sul - Unidade de Joinville )

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