02 outubro 2012

FRASES AO VENTO



































O vento sussurrou para mim. Baixo o suficiente para que somente eu pudesse ouvir e claro o bastante para acreditar que aquilo realmente acontecera.
        Eram palavras aleatórias e contundentes. Pareciam não ter ligação alguma, mas cada uma delas se repetia a todo instante. Cantavam em meus ouvidos e dançavam em minha mente.
        Depois de algum tempo, comecei a ouvir frases inteiras, perversas, que me diziam exatamente o que fazer e me seduziam para obedecer-lhes.
        Passou de uma presença para um terrível incomodo. Tudo se acumulava e transformava-se em diálogos exaustivos. Tamborilavam entre meus pensamentos e gritavam mais alto que quaisquer pedidos de socorro. A agonia preenchia minha alma e embotava meu raciocínio. Várias vozes falavam de uma só vez, discutindo entre si.
        Percebi que havia perdido a batalha angustiante. O controle de meus atos não estava mais em minhas mãos. Mas bem lá no fundo, meu ser havia se compactado e ainda soprava alguns versos. Foi quando peguei caneta e papel e, com minhas mãos trêmulas e suadas, fui lentamente reacendendo o brilho do meu espírito. As palavras iam de uma em uma, escapando de dentro de mim e se encarregavam de formar textos envolventes e belos poemas, que sempre arrancavam lágrimas dos leitores atônitos e boquiabertos.
        A expressão dos meus conflitos internos tornou possível a vitória sobre minhas angústias. Os sussurros vão e vem, trazem medos e alegrias, tristezas e decepções, porém sempre trazem grandes lições. E as frases, trazidas pelo vento, garantem minha lucidez.

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                                             Escritora: Maila Palmeira

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