18 julho 2011

FIGURAS DE LINGUAGEM - 3

































  

FIGURAS DE CONSTRUÇÃO OU DE SINTAXE E SONORAS

Essas figuras realizam-se por meio de estratégias relativas à construção da frase, seja por uma desordem ou por omissão de certos termos. Incluem-se nesses casos, também as figuras que, explorando a sintaxe dos fonemas, opera na busca de expressões sonoras. Muitos gramáticos e estilistas as separam como figuras de som.

a) Elipse: É a omissão de um termo previsível, subentendido. Esse termo deixa de ser expresso por ser óbvio, mas também confere elegância à frase.

Exemplo:

Na rua, um malvado; em casa, um santo. Isto quer dizer: Na rua era um malvado; em casa era um santo.

b) Zeugma: Omissão de um termo anteriormente expresso, ainda que em flexão diferente. Exemplo: Eu jogo futebol; ela, basquete. Isto quer dizer: Ela joga basquete.

c) Assíndeto: Omissão da conjunção coordenativa entre elementos de uma oração ou entre orações coordenadas.

Exemplo:

Avental branco, pincenê vermelho, bigodes azuis, ei-lo, grave, aplicando sobre o peito descoberto dumacriancinha um estetoscópio.” (Paulo Mendes Campos)

d) Polissíndeto: Nesse processo o que se repete é a conjunção aditiva “e”.

Exemplo:

 E voava e zumbia, e zumbia, e voava...” Mosca azul, Machado de Assis.

e) Pleonasmo: O mesmo que repetição. Pode-se repetir a ideia já contida num termo, o que se pode chamar de pleonasmo gramatical, ou repetir-se uma função sintática: o pleonasmo sintagmático ou sintático. O pleonasmo gramatical pode ser uma virtude da linguagem, quando empregado com intenção enfática. Caso contrário, é um defeito: pleonasmo vicioso.

Exemplo:

1.  de ideia ou gramatical: A música exige ouvidos de ouvir!
2. sintático: As malas, devo guardá-las no armário.
                    Ao inconveniente, nunca lhe dou atenção.

f) Silepse: É uma espécie de “erro” ou um processo não concorde com o que preceituam as regras gramaticais. É, sem dúvida, uma licença à intelectualidade. Tal “erro” pode contrariar a sintaxe de concordância verbal.

Exemplo:

Os estudantes éramos inquietos. Tem-se, nesse caso, uma silepse de pessoa, já que o sujeito Os estudantes exige o verbo na terceira pessoa do plural. Ocorre que o emissor inclui-se no grupo de estudantes inquietos!

Casos há em que a silepse atinge a concordância numérica, como ocorre em: A multidão corriam pela rua.
Usou-se, aqui, um verbo no plural, procurando uma concordância ideológica, mas não gramatical. Por outro lado, pode haver a silepse de gênero, como se vê em: Vossa Majestade continua bondoso!. Note que o termo Majestade é gramaticalmente feminino e isto obrigaria o adjetivo feminino (bondosa). Todavia, por tratar-se do rei (masculino), fez-se a concordância agramatical, mas ideológica.

g) Hipérbato: O mesmo que inversão. Trata da inversão da ordem direta dos termos constituintes de uma oração. Se a inversão for muito acentuada, chama-se sínquise.

Exemplo de hipérbato:

Água não bebo, nem vinho provo.

Exemplo de sínquise:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas/De um povo heroico o brado retumbante...”. Nesse caso, a ordem direta seria a que segue: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico. Ufa! E para entender o Hino de nossa Pátria!

h) Aliteração: Consiste na repetição de fonemas consoantes, a fim de que seja construído um resultado sonoro específico.

Exemplo:

Velho vento vagabundo...” Cruz e Souza.

i) Assonância:

Agora, o que se repete são fonemas vogais.

Exemplo:

Raia sanguínea e fresca a madrugada. (...)” Raimundo Correia.

j) Anacoluto: Figura em que se faz a quebra, a desconcatenação da estrutura da oração ou do período. Um dos termos fica sintaticamente desligado, assim, meio desconexo e sua validade só se efetiva no contexto.

Exemplo:

Ela, já nem ligo para o que ouço!

k) Anáfora: É a repetição de uma palavra no início, em geral, de cada verso de uma estrofe.

Exemplo:
Olho a cidade que amanhece.
Olho o homem que dorme.
Olho a criança que nasce.
Olho a luz que se acende.
Olho, na esperança de esperança.

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