Se você ainda mantém A intenção moral-visual De só encarar homens de bem Segue este meu conselho: Sai da rua, Vai pra casa, Tranca a porta E quebra o espelho.
Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada, Entra, e sob este teto encontrarás carinho: Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho, Vives sozinha sempre, e nunca foste amada...
A neve anda a branquear, lividamente, a estrada, E a minha alcova tem a tepidez de um ninho. Entra, ao menos até que as curvas do caminho Se banhem na nascente da alvorada.
E amanhã quando a luz do sol dourar, radiosa, Essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua, Podes partir de novo, ó nômade formosa!
Já não serei tão só, nem irás tão sozinha: Há de ficar comigo uma saudade tua, Hás de levar contigo uma saudade minha. (Alceu Wamosy) ************************************************
Assim... Ambos assim, no mesmo passo, Iremos percorrendo a mesma estrada; Tu - no meu braço trêmulo amparada, Eu - amparado no teu lindo braço. Ligados neste arrimo, embora escasso, Venceremos as urzes da jornada. E tu - te sentirás menos cansada, E eu - menos sentirei o meu cansaço. E, assim, ligados pelos bens supremos, Que para mim o teu carinho trouxe, Placidamente pela vida iremos, Calcando mágoas. Afastando espinhos. Como se a escarpa desta vida fosse O mais suave de todos os caminho (Mário Pederneiras) **************************************