18 julho 2011

FIGURAS DE LINGUAGEM - 2







































2. FIGURAS DE PENSAMENTO

A alteração de significado ocorre num plano que envolve o raciocínio, o pensamento e não, necessariamente, o conteúdo semântico do vocábulo empregado.

As principais figuras de pensamento são:

a) Antítese: Expressa uma oposição de significados, de conceitos.

Exemplo:

“Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.” Carlos Drummond de Andrade
Ouro, gado, fazendas = vida abastada/ Funcionário público = vida modesta.
Nota: Quando a oposição se dá entre significados de palavras, chamamos antonímia. Exemplo: A vida e a morte fazem o homem.

b) Paradoxo ou oxímoro: Expressão que reúne ideias absolutamente incompatíveis, logicamente impossíveis.

Exemplo:

Um fogo gélido cortava-lhe a medula.

c) Ironia: Figura que sugere desagrado: um termo quer dizer exatamente o contrário do que expressa.

Exemplo:

Menina, você é um primor; não arruma nem sua própria cama!

d) Eufemismo: É o mesmo que suavização ou abrandamento. Trata-se do uso de uma expressão menos áspera, menos chocante com relação a uma realidade.

Exemplo:

Minha mãe descansou da luta diária.

e) Hipérbole: Ocorre nas expressões entusiásticas, exageradas.

Exemplo:
Já te avisei milhões de vezes.

f) Gradação: Disposição de termos em ordem crescente (clímax) ou decrescente (anticlímax) de intensidade.

Exemplos:

A chuva, o vento, a tempestade, a tormenta a tudo destruiu. (clímax).
A tormenta, a tempestade, o vento, a chuva deixaram sua marca de devastação.

g) Prosopopeia: O mesmo que personificação. Trata de atribuir fala ou atitudes humanas a outros elementos.

Exemplos:

A Lua espia-nos através da vidraça.

h) Apóstrofe: Figura de chamamento, apelo, interpelação, confere força expressiva à frase ou verso.

Exemplo:

Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade”. (Gregório de Matos)
 “ Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,... (Tomás Antônio Gonzaga)

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15 julho 2011

FIGURAS DE LINGUAGEM - 1



























1. FIGURAS DE PALAVRAS OU TROPOS

Consiste na alteração semântica, no desvio do sentido peculiar da palavra ou expressão, como se pode ver no seguinte exemplo: “As nuvens são cabelos/crescendo como rios.” João Cabral de Melo Neto. Aqui, o poeta atribui às nuvens um sentido que extrapola o fenômeno meteorológico. Ele as vê como “cabelos crescendo...”

De acordo com a expressividade as figuras de palavras denominam-se:

a) Metáfora: Processo em que o usuário, baseado numa comparação implícita, subjetiva, emocional transfere o sentido de um termo para outro.  

Exemplos:
Disse o poeta: — Sou de ferro.
O chão era um braseiro.
Que flor é essa menina!

b) Metonímia: Ocorre ao se efetuar a substituição de um termo por outro, tendo em vista uma relação interna, de pertinência ou de contiguidade entre eles. Neste caso, alguns preferem chamar sinédoque.
Assim, é possível empregar-se:

1. O autor em lugar de sua obra:
Exemplo: Conhecer Machado de Assis renova o intelecto.
2. A região por aquilo que lá se produz:
Exemplo: Um havana é caríssimo!
3. O objeto por seu usuário:
Exemplo: Nunca param as foices no campo.
4. A causa em lugar do efeito:
Exemplo:  Mantém-se de trabalhos esporádicos.
5. O abstrato em lugar do concreto:
Exemplo: Era maravilhoso conviver com aquela bondade.
6. O efeito em lugar da causa:
Exemplo: O inverno matara a plantação.
7. O continente pelo conteúdo:
Exemplo: Você já bebeu seis copos?
8. O símbolo por aquilo que representa:
Exemplo: Muitos infiéis aceitaram a cruz.

c) Perífrase ou antonomásia: Expressão que substitui o nome real, dando ideia de uma característica marcante.

Exemplos: 
O Cisne negro compôs belos poemas simbolistas.
Pelé, o Rei do Futebol, fez muitíssimo pelo esporte.
A Cidade Luz encantou gerações.
O rei dos animais já perdeu muito de sua fama.

d) Catacrese: A rigor é uma metáfora que perdeu o caráter expressivo, vulgarizou-se, tornando-se praticamente linguagem denotativa.

Exemplos: Um dente de alho; o céu da boca; este braço de mar...

e) Sinestesia: Uso múltiplo dos órgãos sensorial, fundindo-se dois sentidos ou mais (olfato, visão, audição, gustação e tato).

 Exemplo:  
"Mais claro e fino do que as finas pratas / O som da tua voz deliciava ... / Na dolência velada das sonatas / Como um perfume a tudo perfumava. / Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que iluminava / Brancas sonoridades de cascatas ... / Tanta harmonia melancolizava." (Cruz e Souza)
Obs.: Para Rocha Lima, representa uma modalidade de metáfora

f) Anadiplose: É a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase no começo de outro membro de frase.

Exemplo:
"Todo pranto é um comentário. Um comentário que amargamente condena os motivos dados."



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DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO





























DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

No exercício da atividade verbal, o usuário da língua pode optar, de acordo com a situação que perfaz o contexto, por expressar-se de modo claro, explícito, objetivo ou por uma linguagem particular, subjetiva, implícita, em que as palavras e expressões se revestem de novos significados, distantes daqueles que lhes são peculiares. À objetividade de expressão chamamos denotação ou linguagem denotativa. Tal é o que ocorre nos textos de natureza informativa, nos noticiários, por exemplo; uma vez que a informação não se pode dar o luxo de exigir manobras intelectuais do receptor.

Chama-se denotativa a expressão objetiva do conteúdo.

Exemplo:

Os Estados Unidos bombardearam o Iraque.”

A expressão subjetiva chama-se conotativa.

Exemplo:

A suja guerra ceifa futuros brilhantes.”
A conotação se vale da linguagem figurada, caso em que se atribui à palavra um sentido novo, impresso numa suprarealidade, calcado na força expressiva.

A linguagem figurada pode ser examinada nos seguintes aspectos, chamados figuras:
1. FIGURAS DE PALAVRAS OU TROPOS
2. FIGURAS DE PENSAMENTO
3. FIGURAS DE SINTAXE OU DE CONSTRUÇÃO

FUNÇÕES DA LINGUAGEM

 
















FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Chamamos linguagem verbal à possibilidade que tem o Homem de processar comunicação através do uso de signos lingUísticos. É por meio de tais signos que remete a outrem uma mensagem, a qual, por sua vez, é portadora daquilo que ele (o emissor) pretende.
Na dependência dessa intenção ou pretensão é que se conforma a linguagem que, ora enfatiza o assunto, ora destaca o próprio emissor ou se volta para o receptor; expressa interesse no canal de comunicação, centraliza-se no próprio código ou vislumbra a possibilidade do jogo artístico. Desta forma, é possível destacar 6 (seis) funções da linguagem no texto.
Essas funções praticamente não ocorrem individualizadas, mas mesclam-se no conteúdo do texto. Vejamos:

1) FUNÇÃO REFERENCIAL
A mensagem é de natureza informativa, centrada no objeto ou no assunto de que trata. Procura deixar o receptor informado, ciente de fatos e ocorrências.

EXEMPLO:

“O Iraque prometeu ontem que vai revidar o bombardeio dos EUA e do Reino Unido, ocorridos próximo a Bagdá anteontem, que teriam matado dois civis e ferido mais de 20, de acordo com o Ministério de Saúde do país.” (Folha de S.Paulo, 18/02/01)

2) FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA
A mensagem fica centrada no próprio emissor, expressando suas particularidades, paixões, sentimentos e pontos de vista.

EXEMPLOS:

 “Oh! Que saudades que tenho/Da aurora da minha vida,/Da minha infância querida/Que os anos não trazem mais!” (...) (Meus oito anos, Casimiro de Abreu)

“Quando eu nasci/um anjo louco muito louco/veio ler a minha mão/não era um anjo barroco/era um anjo muito louco, torto...” (Let’s play that. Torquato Neto)

3) FUNÇÃO CONATIVA OU PRESSIVA
Neste caso a mensagem é carregada de interesse sobre o receptor, já que pretende persuadi-lo, conquistá-lo para a aquisições de interesse do emissor. É a linguagem própria da propaganda comercial, dos sermões religiosos, das aulas argumentativas.

EXEMPLOS:

“Beba Coca-Cola.”; “Fumar é prejudicial à saúde.” “Toma jeito, menina!”

4. FUNÇÃO FÁTICA
Registra-se nos trechos em que o emissor pretende dar início a um processo de comunicação, esforça-se por manter tal processo e interessa-se em encerrá-lo.

EXEMPLOS:

Bom dia, senhores!; Olá, como vai você?; Não desliga, não, eu explico...; Vocês entenderam tudo?; Bem, até logo!

5. FUNÇÃO METALINGUÍSTICA
Aqui o emissor expressa-se a respeito da própria expressão; usa o código para referir-se ao próprio código. Apresentam a predominância dessa função as definições, conceitos etc.

EXEMPLO:

“A palavra Geografia é formada de dois radicais de origem grega.”; “Chama-se sujeito o termo com o qual o verbo concorda.”

6. FUNÇÃO POÉTICA
Caso em que o emissor usa o código de forma artística ou lúdica. O signo é material importante em si próprio. Poemas, romances, contos e algumas crônicas são produtos textuais em que está normalmente presente essa função.

EXEMPLO:

“beba coca cola
babe cola
beba coca
babe cola caco
caco
cola
c l o a c a”
(Décio Pignatari)

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14 julho 2011

ANDROFÓBICAS




















"Bicho infeliz é o homem... Tem peitos sem leite, ovos sem casca, passarinho sem asas e saco sem dinheiro!"

"A dor de cabeça é o método contraceptivo mais usado pelas mulheres nos dias de hoje."

"Casamento é uma relação entre duas pessoas na qual uma esta sempre certa e a outra é o marido."


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A GRANDE ARTE (RUBEM FONSECA)

















"Muitos anos antes de Cristo havia na Grécia um poeta, Arquíloco, que dizia: 'Tenho uma grande arte: eu firo duramente aqueles que me ferem'."

"Às vezes você parece maluco. Não sei do que você está falando."

"Minha arte é maior ainda: eu amo aqueles que me amam."


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     "Numa história que li, um homem condenado à morte está no patíbulo para ser enforcado e quando o carrasco lhe coloca a corda no pescoço ele pede que lhe dê mais um minuto de vida. 'Para que queres mais um minuto de vida?' , pergunta o carrasco. Responde o condenado " Quero pensar ainda um minuto na Belle Elize'. "
     Começamos a brincar um com o corpo do outro, usando as mãos e a boca, entretendo-nos mutuamente, provocando e estimulando o desejo da carne, com a urgência das pessoas acossadas.
     "Você também suplicaria por um minuto mais de vida para pensar numa mulher?"
     "Ele era marinheiro. A Belle Elize era uma escuna, na qual ele navegava pelos mares do mundo."


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(Do romance A Grande Arte, de Rubem Fonseca)

30 junho 2011

DISSERTAÇÃO


























A partir da introdução abaixo, dê continuidade à dissertação 
( perceba os argumentos em vermelho a serem desenvolvidos):

Solidão: O mal da Modernidade
 
            Entre outras mazelas da sociedade contemporânea, o homem tem vivido e convivido com a solidão. Essa alteração dos padrões sociais pode ser entendida a partir da competitividade imposta nos mais variados níveis, bem como  pelos hábitos de relações virtuais.
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FIM DA JORNADA!!